Sua empresa vende, mas vive sem dinheiro? 7 sinais de que o problema está no fluxo de caixa

Vender mais é importante. Mas vender muito não significa, necessariamente, ter dinheiro disponível.

Essa é uma das situações mais comuns encontradas na gestão de pequenas e médias empresas: o faturamento cresce, a operação parece saudável, os clientes continuam comprando, mas o empresário termina o mês com dificuldade para pagar fornecedores, impostos, folha de pagamento e outras despesas.

Quando isso acontece, é comum acreditar que o problema está exclusivamente nas vendas. Nem sempre.

Muitas empresas não sofrem por falta de faturamento. Sofrem por falta de organização financeira, desequilíbrio do capital de giro e ausência de planejamento do fluxo de caixa.

O primeiro passo é entender onde o dinheiro está ficando.

1. A empresa precisa utilizar crédito para pagar as despesas do mês

Cheque especial, conta garantida, antecipação de recebíveis e empréstimos podem ser instrumentos importantes de gestão financeira.

O problema começa quando deixam de ser uma alternativa eventual e passam a financiar despesas recorrentes da empresa.

Se a empresa precisa recorrer ao banco todos os meses para pagar salários, fornecedores, impostos ou despesas operacionais, existe um sinal claro de que o caixa precisa ser analisado.

O crédito pode resolver uma falta momentânea de liquidez, mas não corrige um problema estrutural.

Ao contrário: se utilizado sem planejamento, acrescenta juros e parcelas ao orçamento dos meses seguintes e pode aprofundar o desequilíbrio.

2. Os prazos de recebimento e pagamento não estão equilibrados

Imagine uma empresa que compra de seus fornecedores para pagar em 30 dias, mas vende aos clientes em quatro ou cinco parcelas.

A venda pode ser lucrativa no papel, porém o dinheiro demora a entrar.

Enquanto isso, fornecedores, salários, tributos e despesas vencem normalmente.

É o chamado descasamento financeiro.

Por isso, além de analisar quanto a empresa vende, é necessário saber quando esse dinheiro efetivamente estará disponível no caixa.

3. O estoque está consumindo o dinheiro da empresa

Estoque é patrimônio, mas também representa dinheiro parado.

Uma empresa pode apresentar um estoque elevado e, ao mesmo tempo, enfrentar falta de recursos para pagar suas obrigações.

Produtos com baixa rotatividade, compras em excesso e decisões de aquisição sem planejamento podem imobilizar uma parcela relevante do capital de giro.

Não basta perguntar:

“Quanto temos em estoque?”

É preciso perguntar:

“Quanto desse estoque efetivamente gira e em quanto tempo ele volta a se transformar em dinheiro?”

4. O empresário não sabe quanto precisa ter em caixa nos próximos 30, 60 e 90 dias

Controlar apenas o saldo bancário de hoje é dirigir olhando somente pelo retrovisor.

Uma gestão financeira eficiente precisa trabalhar com projeções.

O empresário deveria conseguir visualizar, com antecedência:

  • quanto tem a receber;
  • quanto precisará pagar;
  • quais impostos vencerão;
  • o valor previsto da folha;
  • parcelas de empréstimos e financiamentos;
  • compras já contratadas;
  • despesas sazonais;
  • investimentos programados.

Com essas informações, a empresa deixa de descobrir os problemas financeiros quando eles já aconteceram e passa a antecipá-los.

5. As retiradas dos sócios não seguem um planejamento

Outro ponto sensível é a relação financeira entre empresa e sócios.

Quando despesas particulares são pagas pela empresa ou quando existem retiradas sem planejamento, o caixa empresarial pode ser comprometido sem que o gestor perceba claramente a dimensão do problema.

A empresa precisa ter capacidade de financiar sua própria operação.

Por isso, pró-labore, distribuição de resultados e demais retiradas devem respeitar a realidade econômica e financeira do negócio.

6. A empresa vende mais, mas a dívida também cresce

Esse talvez seja um dos sinais mais importantes.

O faturamento cresce, mas junto com ele crescem:

  • empréstimos;
  • antecipações;
  • parcelamentos;
  • fornecedores vencidos;
  • tributos parcelados;
  • limites bancários utilizados.

Quando isso acontece, é necessário investigar se o crescimento está realmente gerando caixa ou apenas aumentando a necessidade de capital de giro.

Nem todo crescimento é financeiramente saudável.

Uma empresa pode crescer rapidamente e, justamente por isso, enfrentar dificuldades se não possuir recursos suficientes para financiar estoques, vendas a prazo e expansão da operação.

7. Ninguém consegue explicar exatamente para onde foi o dinheiro

A pergunta é simples:

“Quanto entrou, quanto saiu e onde o dinheiro foi utilizado?”

Se essa resposta não estiver disponível de forma rápida e confiável, existe um problema de gestão.

Uma empresa pode até possuir controles financeiros, mas isso não significa necessariamente que possui gestão financeira.

Registrar pagamentos e recebimentos é apenas o início.

É necessário transformar os números em informação para tomada de decisão.

Endividamento ou desorganização financeira?

Antes de renegociar dívidas ou buscar um novo empréstimo, a empresa precisa compreender a origem da falta de caixa.

Em alguns casos, existe efetivamente um nível elevado de endividamento.

Em outros, o problema está na combinação de fatores como:

  • estoque excessivo;
  • margem insuficiente;
  • prazo inadequado de vendas;
  • retiradas elevadas;
  • ausência de planejamento;
  • despesas acima da capacidade da empresa;
  • preço de venda mal calculado;
  • falta de acompanhamento financeiro.

Sem esse diagnóstico, a empresa pode trocar uma dívida por outra sem resolver a causa do problema.

Fluxo de caixa deve ser utilizado para decidir, não apenas para registrar

Um bom fluxo de caixa não deve mostrar somente o que aconteceu ontem.

Ele precisa ajudar o empresário a decidir o que fazer amanhã.

Quando utilizado corretamente, permite avaliar antecipadamente necessidades de capital, momentos de sobra de recursos, capacidade de pagamento, investimentos e possíveis riscos financeiros.

Mais do que uma planilha, o fluxo de caixa deve fazer parte da gestão estratégica da empresa.

Como a Líder Associados pode ajudar

A Líder Associados, por meio de sua Consultoria Financeira, auxilia empresas a transformar dados financeiros em instrumentos de gestão.

O trabalho pode envolver organização e análise do fluxo de caixa, projeções financeiras, estruturação de contas a pagar e receber, avaliação do endividamento, análise de custos, capital de giro e acompanhamento de indicadores.

O objetivo não é simplesmente mostrar ao empresário que está faltando dinheiro.

É identificar por que está faltando, onde está o problema e quais decisões podem melhorar a saúde financeira da empresa.

Sua empresa vende bem, mas o caixa continua apertado? Talvez seja hora de analisar os números de outra forma.

Entre em contato com um de nossos especialistas.

MARCIO REDONDO
Contador e Perito Judicial.